FIAN Brasil debate alimentação escolar, território e desigualdade no CONBRAN
Em Curitiba, a organização participou de duas atividades pautando o Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequada (DHANA)

Entre os dias 12 e 15 de maio, a cidade de Curitiba sediou o XXIX Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), promovido pela Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN). A FIAN Brasil esteve presente com duas atividades, contribuindo com pautas centrais para a organização: a alimentação escolar como espaço de promoção de sistemas alimentares saudáveis e o acesso à alimentação em territórios vulnerabilizados.
Reconhecido como um dos mais importantes encontros científicos da área de Nutrição da América Latina, o CONBRAN promove debates que subsidiam a formulação de políticas públicas e o aprimoramento de práticas profissionais. A edição de 2026 trouxe como tema central “Nutrição e Dieta em Tempos de IA e Emergência Climática”, propondo um debate contemporâneo sobre os desafios que atravessam a ciência da Nutrição em um contexto marcado pela crise climática e seus impactos nos sistemas alimentares.
Tenda Firmina Santana: escolas, agroecologia e cultura alimentar
Na quarta-feira, 12 de maio, o Observatório da Alimentação Escolar (ÓAÊ), a FIAN Brasil, o Idec (Instituto de Defesa de Consumidores) e o FBSSAN (Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) realizaram uma oficina na Tenda Firmina Santana para debater o papel das escolas na promoção da alimentação adequada e saudável, da cultura alimentar e da agroecologia.
A atividade abordou os desafios para a restrição de ultraprocessados na alimentação escolar e para a inclusão de alimentos agroecológicos de povos e comunidades tradicionais no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), duas frentes que exigem tanto avanços regulatórios quanto mudanças nas práticas de gestão dos cardápios. Além das apresentações, a oficina abriu espaço para troca entre convidadas e participantes, reforçando o papel da alimentação escolar na garantia do Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequada (DHANA), na valorização dos territórios e dos saberes tradicionais, e no fortalecimento da agricultura familiar e de sistemas alimentares mais justos.
A oficina foi mediada pela nutricionista e professora Islândia Bezerra da Costa. Participaram do debate Débora Olimpio, assessora de alimentação escolar da FIAN Brasil e do ÓAÊ; Giorgia Russo, especialista em saúde pública do Idec; Deise Bresan, coordenadora geral do Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição Escolar do Mato Grosso do Sul (CECANE UFMS); e Cláudia Ambile, agricultora familiar.
Graziele da Silva, que trabalha na Secretaria Municipal de Educação em Garanhuns (PE) expressou a pertinência do debate: “Sou nutricionista do PNAE e acho super interessante e válido esse momento de trocas. Estes são muito importantes para a nossa atuação nesse ambiente de trabalho tão desafiador”, destacou a participante.



Tenda do MDS: comida, território e desigualdade nas favelas
No dia 14 de maio, a FIAN Brasil participou de uma roda de conversa na tenda do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) com o tema “Comida, território e desigualdade: o acesso à alimentação saudável nas favelas brasileiras”.
A atividade começou com a apresentação de resultados de pesquisas realizadas pelo Idec, pelo Instituto Desiderata e pela FIAN Brasil. Participaram dessa etapa Ana Maria Maya (Idec), Ana Silvia Sena (Instituto Desiderata) e Alessandra Farias (FIAN Brasil). O debate contou ainda com a participação de Larissa Loures, professora do Departamento de Nutrição da UFMG e coordenadora do Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS), e de Claudia Bocca, da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS (SESAN/MDS).
Para a FIAN Brasil, o momento foi uma oportunidade de apresentar resultados dos estudos realizados com as Cozinhas Solidárias do Sol Nascente, comunidade do Distrito Federal. A metodologia utilizada pela organização parte de uma abordagem centrada no direito humano à alimentação adequada, combinando análise do ambiente alimentar local com escuta direta das pessoas que vivem nesses territórios — o que permite identificar não apenas os déficits de acesso, mas também as estratégias de resistência e as redes de solidariedade que estruturam a segurança alimentar nesses contextos.



O tema da roda de conversa também dialoga com o estudo As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023), lançado recentemente pela FIAN Brasil. Os dados mostram que o Brasil avançou na recuperação da segurança alimentar após o período crítico da pandemia, mas preserva desigualdades estruturais ligadas a raça e gênero. Os lares com maiores prevalências de insegurança alimentar são domicílios chefiados por mulheres negras (38,5%), seguidos daqueles chefiados por homens negros (28,9%). Acesse o estudo.




