Reunião de parceiros do PAD discute o momento político brasileiro

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Por Kátia Visentainer/ Comuniação PAD

Nos dias três e quatro de julho,  a coordenação  e representantes de 25 organizações que integram o Pad – Processo de Articulação e Diálogo reuniram-se em Brasília para discutir os cenários nacional e internacional e quais as perspectivas do ponto de vista da agenda de direitos humanos e democracia.

Também participaram do encontro os participantes  dos Grupos Temáticos Bens Comuns e Criminalização das Lutas Sociais e Direitos Humanos. No primeiro dia, algumas falas de convidados trouxeram mais luz às análises.

Convidados

O ex-ministro da Justiça do Governo Dilma, Eugênio Aragão  participou da roda de conversa e trouxe importante análise da conjuntura política atual. Ele fez uma retrospectiva história, antes de analisar o momento político atual. E falou da importância de falarmos para além da nossa bolha.

“Nós estamos falando dentro da nossa bolha. Porque fora da nossa bolha o ambiente é hostil no sentido de Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. Isso gera uma dificuldade em todos nós em avançar no debate. Isso nos gera ansiedade, frustração. Muitos de nós estão doentes. Porque está se perdendo o sentido da luta. E precisamos encontrar uma forma de nos comunicar com essa massa de pessoas que ‘Não sabe, não quer saber’ que estão fora da nossa bolha. Porque a nossa bolha não é suficiente para mudar a situação”, comentou Aragão.

E concluiu: “Vamos precisar discutir além da nossa bolha no ponto de vista político. É preciso abrir esse espaço de diálogo com uma grande estratégia de comunicação de massa se quisermos mudar a atual situação.”

O debate sobre a importância de dialogarmos com o outro lado foi importante para provocar o grupo a compartilhar como estão lidando além da nossa bolha nos territórios onde atuam.

Também foi convidado  o Jonas Valente, Jornalista e mestre em Políticas de Comunicação e  integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, entidade que luta pela comunicação como direito humano.

Valente iniciou sua fala trazendo à tona o pessimismo que assola todos que lutam por direitos no Brasil. Falou sobre a importância das organizações traçarem estratégias de comunicação a partir da realidade atual.   Da importância  de incluir no  debate da comunicação o tema da transformação digital. A mistura da comunicação e tecnologia.

Logo no início ele se desculpou, alegando que infelizmente a fala dele traria certo pessimismo e que quanto mais analisa a conjuntura, observa que a situação é pior do que se imagina.

Falou sobre a importância em analisarmos o ambiente onde o jogo está sendo jogado e a necessidade de olharmos  onde o embate está sendo feito e a forma.  Valente explicou: “Muitos falam que nós não estamos sabendo nos comunicar e não é só isso. Temos que olhar para o ambiente onde o jogo é jogado. A gente tem nas grandes plataforma como Facebook, Twitter e outras a arena onde o jogo está sendo jogado. E esse ambiente é muito mais complexo do que antes era aquele do debate que era monopólio da Globo.E não estou fazendo um discurso de ode à internet, como se a radio e televisão não fossem mais importantes, ao contrário, todas continuam sendo importantes. A  TV Globo continua sendo um ator político chave, o impeachment da presidente Dilma mostrou isso; mas não têm mais o monopólio. E as disputas  do governo Bolsonaro mostrou isso: ainda temos atores chaves, não só na radiodifusão, estamos falando de um consórcio que se formou para dar peso ao governo Bolsonaro com Band, SBT e Rede TV, estamos falando de uma rede enorme  de veículos  vinculados a grupos religiosos, que muitas vezes dá sustentação a este governo. E esses grupos religiosos são um ator chave na comunicação brasileira hoje”.

E embora tenha afirmado que não tinha uma receita de por onde seguirmos neste clima tão hostil, ele fez uma reflexão sobre caminhos que devam ser trilhados na comunicação: “A gente precisa disputar as regras do jogo e jogar o jogo. Temos que fazer  a disputa nas redes diuturnamente nas redes. A esquerda como um todo precisa fazer isso. E é difícil, porque cada agente político tem os seus canais, tem os seus discursos… Mas se estamos numa condição muito desigual, se a gente não organizar o nosso time, se a gente não contar com a base social, que a gente atinge pra fazer as nossas lutas; nós vamos não apenas ser derrotados novamente, mas cada vez mais derrotados. Porque apesar de estarmos vivendo com este público do ‘não sei e tenho raiva de quem sabe’, todos os metodos de sentimentos (que é o das redes sociais) mostram que você tem uma coluna do meio sim. Que olha pro lado e diz: Áh, este petista pelo amor de Deus, mas este Bolsonaro é meio doido’.  E este vácuo vai ser ocupado por alguém. Por quem, não sei.  E temos muitos agentes políticos tentando ocupar este espaço.”

Debate sobre ODS

A discussão  sobre  os ODS e a agenda 2030 também foi tema do encontro. A temática está na agenda do PAD – por ser um espaço de diálogo  agências ecumênicas s e as organizações apoiadas no Brasil, que estão fazendo uma reflexão sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável.  E essa reflexão é necessária porque as agências de cooperação captam cada dia mais recursos nos seus governos e estes querem sempre saber em qual objetivo de desenvolvimento se encaixam.

O Doutor em Sociologia e professor da UNB, Sérgio Sauer foi convidado a apresentar estudo que elaborou sobre alguns pontos dos ODS e a agenda 2030.

O desafio foi fazer uma certa análise de conjuntura para explicar o estudo que foi realizado no primeiro trimestre de 2018. O estudo foi um olhar para os ODS 1,2,6, 10 e 15. Os governos tomaram esta agenda 2030 como uma agenda muito importante.

A fala de Sauer foi centrada no como a cooperação internacional se vincula aos ODS. A pesquisa foi focada menos em analisar os ODS em si, mas sim a relação da cooperação entre os governos e a sociedade civil.

Ele começou com uma introdução sobre os compromissos que o país assume e as ferramentas usadas nas relações construtivas entre Estado e Sociedade Civil no Brasil.  Falou da importância da construção a partir da sociedade civil, durante 13 anos do governo petista, da Comissão Nacional para os ODS criada a partir do Decreto 8892/2016 e o Acordão 709/2018 do TCU, reconhecendo os esforços do Governo na sua implantação

Na visão de Sauer, o debate sobre os ODS no Brasil se enfraqueceu com a extinção dos Conselhos Sociais e o país será incapaz de cumprir qualquer acordo da agenda 2030. Para ele, precisamos dialogar com esta agenda 2030 e retomar a questão sob a perspectiva da cooperação e do trabalho de base.

O segundo dia do encontro foi um espaço para o diálogo entre a coordenação e as organizações que integram o Pad. Foi apresentado o planejamento dos próximos anos e realizada coletivamente a construção de agendas do PAD.

Informes sobre a agenda de Incidência Internacional construída em parceria com a Articulação para o monitoramentos dos DHs foram discutidas com o Grupo, os próximos passos nos estudos dos ODS e a Agenda que o Pad fará ainda em 2019 nas embaixadas de 8 países.

Para melhor dinâmica, os participantes dividiram-se em 2 grupos, por afinidade: um grupo discutiu a agenda internacional e a agenda de incidência nas embaixadas e o segundo grupo discutiu a Agenda 2030.

Ao final os encaminhamentos foram discutidos e  a distribuição de tarefas foi realizada. A avaliação de todos foi de que o encontro foi muito produtivo e que trouxe grandes reflexões sobre o momento que passa nosso país e sua influência nas organizações participantes.

Fonte: PAD

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